No ano seguinte Roberto voltou ao rock - mas não abandonou o que já cantava. Seu primeiro LP, "Louco Por Você", lançado em 1961, é um interessante apanhado da música jovem de então, incluindo ritmos como bolero, cha-cha-chá, rock-balada, bossa nova e foxtrote.

Embora firmando-se para o grande público como artista de rock, nunca foi exclusivamente roqueiro; nunca deixou de compor, sozinho ou com Erasmo Carlos ou outros parceiros, obras em ritmos diversos como samba, foxtrote ou bolero, gravadas por ele próprio ou não, ou mesmo de interpretar obras não-roqueiras de outros autores, como "Madrasta", de Renato Teixeira, "Amélia", de Ataulfo e Mário Lago, "El Dia Que Me Quieras" de Carlos Gardel. Mesmo compondo e gravando sambas e foxtrotes, Roberto Carlos interpretou rock o suficiente para se tornar o mais influente intérprete do pop-rock à brasileira.

Um dos raros acertos do pesquisador e sensacionalista Albert Goldman foi dizer que Tom Jobim foi o único artista de influência mundial comparável a John Lennon nos anos 60; daí muitas gravações de Roberto desde então terem marcação rítmica muito semelhante ao samba, embora com sotaque roqueiro ("Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", "Como É Bom Saber", "Escreva Uma Carta, Meu Amor"), com resultados semelhantes aos que, por exemplo, o grupo The Byrds, colega de gravadora de Roberto na matriz dos EUA, chegaria, praticamente ao mesmo tempo, mesclando o folk-rock à batida da bossa nova em gravações como "Turn! Turn! Turn!".

Mesmo em interpretações mais frenéticas, Roberto sempre manteve uma dolência interiorana que se assemelha a roqueiros de formação caipira como Roy Orbison e sempre o aproximou da música sertaneja.

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