"Jovem guarda", "festa de arromba" e "bicho" já eram expressões antigas ao serem cooptadas pelo movimento lançado oficialmente em 1965 - mas que, como atenta Erasmo Carlos, surgiu quando o rock se nacionalizou, utilizando canções compostas no Brasil e incorporando elementos de ritmos locais como samba, toada e baião, isso já em 1957.
De modo que Celly Campello, nosso primeiro ídolo de massa da era da televisão, pode ser definida como artista de iê-iê-iê brasileiro antes de este rótulo surgir - inclusive foi ela a primeira escolha para ser apresentadora do programa "Jovem Guarda", tendo Wanderléa ocupado o posto devido à recusa de Celly.
A "Jovem Guarda" foi uma modernização, com o programa de TV, da Rádio Nacional dos anos 1940-1950, com sua divulgação em massa, suas fãs extremamente devotas ("macacas de auditório") e seus ídolos com apelidos. Tivemos Francisco Alves, o "Rei da Voz"; Carmen Miranda, a "Pequena Notável"; Orlando Silva, o "Cantor das Multidões". Agora tínhamos Erasmo Carlos, o "Tremendão"; Wanderléa, a "Ternurinha"; e Roberto Carlos era o "Rei" ou o "Brasa".
A Jovem Guarda, como movimento de massa liderado por um programa de TV, pode ter acabado oficialmente em 1968, mas a "jovem guarda", ou melhor, o iê-iê-iê, nunca terminou, apenas modificando-se ao longo dos anos, mantido por veteranos dos anos 1960 como Erasmo, Renato e Seus Blue Caps, os Incríveis, Leno e Lilian (juntos ou separados) e Lafayette, e continuado por artistas mais novos, alguns rotulados de "Nova Jovem Guarda" e "New-Iê-Iê-Iê-Ve", como Herva Doce, Kid Abelha, Blitz, Titãs (ex-Titãs do Iê-Iê), Graforréia Xilarmônica e até o ex-Titã do Iê-Iê Arnaldo Antunes.
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