Eficácia dos antirretrovirais aumenta na prevenção à Aids


Segundo estudo, o risco de infecção pode ser reduzido em quase dois terços quando as pessoas saudáveis tomam uma cápsula de antirretroviral antes da exposição





Cápsulas de remédio


Paris - Dois novos estudos indicam o papel essencial que os antirretrovirais podem desempenhar em termos de prevenção da Aids, na véspera da conferência sobre a Aids de Roma que deve colocar o tema no centro dos debates.

Os dois estudos, realizados em três países africanos com pessoas heterossexuais, população mais afetada no mundo, indicaram que quando as pessoas saudáveis tomam uma cápsula de antirretroviral por dia antes da exposição - o que é chamado "profilaxia pré-exposição (PrEP)" - o risco de infecção pelo HIV pode ser reduzido em quase dois terços.

Michel Sidibé, diretor executivo da Unaids, saudou imediatamente este "grande avanço científico, que prova o papel essencial que o tratamento antirretroviral deve desempenhar no combate à Aids". "Esses estudos podem nos ajudar a avançar no combate à epidemia", disse.

Margaret Chan, que dirige a Organização Mundial de Saúde, ressaltou que estes estudos "podem ter um impacto enorme para a prevenção da transmissão heterossexual".

Os estudos, um da Universidade de Washington e outro do CDC (Centro de Controle de Doenças de Atlanta), foram realizados em Botsuana, no Quênia e em Uganda.

O trabalho TDF2, do CDC, foi realizado com 1.219 homens e mulheres heterossexuais em Botsuana, todos não infectados, alguns recebendo um comprimido de antirretroviral (ARV) -uma mistura de tenofovir/emtricitabina- uma vez por dia; outros, um placebo. O ARV reduziu o risco em 63% em relação ao grupo placebo.

A pesquisa da Universidade de Washington, Partners PrEP, analisou 4.758 casais heterossexuais sorodiscordantes (um infectado, outro não) no Quênia e em Uganda. A pessoa não infectada tomou o tenofovir, ou uma mistura de tenofovir com emtricitabina, ou um placebo.

No primeiro caso, o risco de infecção foi reduzido em 62% em relação ao grupo placebo; no segundo, em 73%.

Os pesquisadores interromperam o estudo após a os resultados intermediários, considerando que não seria "ético" mantê-lo com as pessoas que tomavam um placebo, e divulgaram seus resultados. O CDC, que deveria divulgar seu trabalho em Roma na semana que vem durante a conferência sobre a Aids, fez o mesmo.

Um estudo anterior, conduzido com casais de homens sorodiscordantes, havia registrado em novembro uma redução de 44% da infecção entre aqueles que receberam uma mistura de tenofovir/emtricitabina. Mas não havia certeza de que a prevenção pudesse funcionar em casais heterossexuais.

Um outro estudo, FEM-Prep, não constatou o efeito protetor entre as mulheres heterossexuais.

Em maio, um teste clínico realizado em nove países com 1.763 casais, em grande parte heterossexuais, mostrou que entre os casais em que os soropositivos tomaram antirretrovirais em um estágio precoce da doença o risco de infectar seu parceiro caiu 96%.

Esses resultados indicam o papel central que os antirretrovirais podem desempenhar na prevenção, e este assunto estará no centro da conferência de Roma.

Vários pesquisadores, incluindo aqueles que trabalharam no estudo TDF2, revelaram que é essencial utilizar esse método em combinação com outras formas de prevenção, principalmente os preservativos.

"Estamos em um momento importante", frisou Mitchell Warren, diretor executivo da ONG americana Avac, para quem é necessário agora estabelecer "como utilizar melhor os ARV como meios de prevenção".

Esses resultados deverão também estimular as pessoas em risco a se submeterem a testes, já que apenas a metade das 33 milhões de pessoas que vivem com o vírus sabem que são soropositivas.


1 comentários:

Ministério da Saúde at: 25 de julho de 2011 11:36 disse...

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