MEDICINA HIPERBÁRICA EM PASSO FUNDO - RS

CONCEITO


A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) consiste na inalação de oxigênio medicinal a 100%, com pressão superior à pressão atmosférica, no interior de uma câmara hiperbárica.

As doenças que respondem a essa modalidade de tratamento são aquelas cujas alterações teciduais envolvem hipóxia, isquemia, inflamação, infecção e alterações auto-imunes.


MECANISMO DE AÇÃO

Em ambiente hiperbárico, a dissolução do oxigênio no plasma (que normalmente é desprezível) aumenta muito, podendo chegar a uma quantidade equivalente ao consumo total de oxigênio do corpo humano, isso sem utilizar o transporte das hemácias, somente o plasma. Dessa forma, consegue-se de imediato hiperoxigenação tecidual, além de vasoconstrição e redução do líquido intersticial acumulado (edema).

Além disso, existem outros efeitos já comprovados da OHB como modulação inflamatória, redução de radicais livres de oxigênio e ativação das defesas antibacterianas celulares e teciduais. Há estímulo à reparação tecidual, com proliferação de fibroblastos, neovascularização e epitelização das áreas cruentas.



EFEITOS FISIOLÓGICOS E METABÓLICOS



Alterações Hemodinâmicas

A hiperóxia hiperbárica tem efeito vasoconstritor peculiar na maioria dos tecidos.
Esse efeito é devido ao controle vasomotor intrínseco, com pouca influência dos mecanismos centrais.

Ocorre vasoconstrição generalizada, sendo exceção a circulação pulmonar, uma vez que a hiperóxia hiperbárica provoca vasodilatação pulmonar.

A vasoconstrição prevalece em maior ou menor grau conforme o tipo de tecido, provocando aumento da resistência vascular periférica e deslocando a volemia sangüínea para os vasos de capacitância, diminuindo, assim, o retorno venoso.

A hiperóxia induz à diminuição da freqüência cardíaca.

A combinação desses efeitos reduz o débito cardíaco, em aproximadamente 20 a 30% com pressurização de 3ATA.

Embora a resistência vascular periférica aumente com o procedimento da oxigenoterapia hiperbárica, a pressão arterial é mantida, devido à diminuição proporcional do débito cardíaco.

Alterações Neuro-Endócrinas

As alterações do sistema nervoso central (SNC) em hiperóxia hiperbárica inicialmente correspondem ao período de ativação, que ocorre entre 60 a 90 minutos na pressão de 2 a 3ATA.

Testes cognitivos e perceptivos, realizados em pacientes submetidos à OHB, demonstraram melhor desempenho após o tratamento.

A hiperóxia hiperbárica ativa a formação reticular do SNC, com manifestações ascendente e descendente.

A manifestação descendente se relaciona a maior excitabilidade medular, provocando aumento do tônus muscular.

A ativação ascendente da formação reticular provoca alterações endócrinas, através do eixo hipotálamo-hipófisário, com liberação de hormônio adeno-córtico-trófico (ACTH), levando ao aumento de corticóides adrenais e, por meio da estimulação direta do córtex adrenal, também da epinefrina.

Normalmente, a aplicação da OHB, com rigor terapêutico, exige atenção clínica sobre essas alterações apenas em pacientes suscetíveis.

Nos pacientes sujeitos a exposições nos limites máximos de OHB os efeitos neuro-endócrinos serão exacerbados, sobrevindo sintomas neurotóxicos.

Alterações Metabólicas

O consumo global de oxigênio em hiperóxia hiperbárica mantém-se inalterado.

Isso acontece porque, durante os 30 a 60 minutos iniciais de exposição, o oxigênio se difunde por todos os tecidos corporais, até saturá-los, substituindo o nitrogênio, neles impregnados, que é eliminado por difusão. Se forem efetuadas medidas de consumo de oxigênio nessa fase, o O2 estará aparentemente aumentado.

No estado de hiperóxia hiperbárica a hemoglobina presente no sangue venoso pode estar parcial ou totalmente saturada de O2.

Os cerca de 20% do dióxido de carbono (CO2), que seriam transportados pela hemoglobina, serão dissolvidos no plasma, formando maior quantidade de ácido carbônico, havendo, portanto, acréscimo a ser tamponado pelo sistema de bicarbonato.

Existindo suficiência deste mecanismo, não ocorrerão alterações significativas do pH ou pCO2 (pressão parcial de CO2) sangüíneos.

No metabolismo ocorrem, ainda, reações pró-oxidantes e antioxidantes, que devem ser mantidas em equilíbrio, impedindo que o excesso de oxidação ou comprometimento do sistema de proteção antioxidante possam lesionar células íntegras. O conjunto desses mecanismos é denominado metabolismo oxidativo.

A maior concentração de oxigênio, proporcionada pela hiperóxia hiperbárica, aumenta a formação de radicais ativados de O2, estimulando as reações oxidativas e sistemas antioxidantes.

Essas mesmas manifestações podem ocorrer na exposição prolongada ao oxigênio a 100% em pressão normobárica, no entanto, de forma mais rápida e pronunciada na OHB.

Há, entretanto, efeitos tóxicos peculiares da oxigenoterapia hiperbárica, como alterações neurológicas, que não ocorrem em hiperóxia normobárica.

As alterações do balanço oxidativo produzidas pela hiperóxia hiperbárica, podem ser avaliadas pela dosagem de enzimas antioxidantes pulmonares.











A Medicina Hiperbárica é o ramo da Medicina responsável pelo estudo, pelas normas de prevenção e segurança e pelo tratamento de todas as patologias causadas pelos ambientes pressurizados; como também todas as situações patológicas que se beneficiam com oxigênio sob pressão.
O ser humano sempre se sentiu atraído pelo fascínio exercido pelo mar, e na tentativa de provar novos riscos e desafiar o perigo desde épocas remotas se aventurou na atividade de mergulho.Ao pesquisar livros da história antiga, observamos que já por volta de 4.500 antes da era cristã já existiam homens que se dedicavam a esta atividade com intuito de buscar alimentos, atividades comerciais através da coleta de pérolas e conchas, e também com finalidade bélica, para danificar naus inimigas. Relatos históricos revelam que o imperador Xeres, por volta de 400 antes de Cristo mandava seus mergulhadores atacar e sabotar embarcações inimigas.Com a possibilidade desses homens em se manter por um tempo mais prolongado submersos, e em profundidades cada vez maiores, começou-se a perceber algumas alterações físicas até então desconhecidas. Coube a Aristóteles, em 300 antes de Cristo, o primeiro relato sobre a descrição da ruptura de membrana timpânica em mergulhadores da época, o que hoje sabemos ser o barotrauma de ouvido médio.Porem alguns séculos se passaram, ocorrendo com certeza inúmeros acidentes de descompressão, inclusive com muitas mortes e incapacitações físicas, até que no ano de 1670 Robert Boyle utilizando-se de cobras como cobaias, colocadas dentre de caixas hermeticamente fechadas e pressurizadas com bombas pneumáticas, após descompressões bruscas, constatou o aparecimento de bolhas de gás na câmara anterior dos olhos desses animais.



Desse modo, foi o primeiro relato conhecido sobre os efeitos deletérios da descompressão brusca.
Quase 150 anos mais tarde, Lorde T. Alejandro Cochrane desenvolveu um sistema pneumático que permitiu ao engenheiro francês, Triger, em 1841, fazer a primeira descrição de toda sintomatologia da doença descompressiva, em trabalhadores de uma mina de carvão que se utilizavam dos "caixões pneumáticos" no intuito de se evitar as inundações do local de trabalho.

Na história da Medicina Hiperbárica houve um cientista brasileiro, mundialmente conhecido e reconhecido como tendo contribuído em muito para o desenvolvimento desta área médica. Infelizmente totalmente desconhecido para nós, brasileiros.
Estou me referindo ao Dr. Álvaro Ozório de Almeida (1882 - 1952), médico sanitarista, Diretor de Higiene e Saúde Pública na cidade do Rio de Janeiro.


Dr.Álvaro Ozório
Após um período de estudos no Instituto Pasteur em Paris, o Dr. Álvaro retornou à cidade do Rio de Janeiro e montou seu centro de pesquisas e tratamentos em câmara hiperbárica no Hospital Gaffrée e Guinle.

Em 1934 publicou seu primeiro trabalho sobre a intoxicação do oxigênio hiperbárico e em pacientes portadores de câncer, submetidos à radioterapia e oxigenoterapia hiperbárica.
Publicou também, brilhantes trabalhos na área de Medicina Hiperbárica, em tratamento coadjuvante em queimaduras, gangrena gasosa e nos lepromas de portadores de Doença de Hansen.Este foi sem dúvida nenhuma um grande salto científico da Medicina Hiperbárica.
O segundo grande salto, ocorreu em 1956, quando o médico holandês, Dr. Ite Boerema após várias experiências realizadas em porcos, publicou no Journal Cardiovascular Surgery o trabalho intitulado "Life Without Blood".



Durante todos esses anos centenas de trabalhos foram publicados, mostrando e comprovando a toda classe médica os efeitos e benefícios da Medicina Hiperbárica.
A Oxigenoterapia Hiperbárica é a parte da Medicina Hiperbárica que se utilizada das câmaras hiperbáricas para tratamento de todas as situações patológicas indicadas para tal, com o paciente em seu interior respirando oxigênio puro (aproximadamente 100% de pureza).



REMUNERAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS



1. OHB

O procedimento de oxigenoterapia hiperbárica consta da CBHPM com o código 2.01.04.18-9 e é parte integrante do rol de procedimentos mínimos da ANS, a partir de janeiro de 2010.

REMUNERAÇÃO PELA CBHPM (atualizada em 2010)

Porte 5B = R$ 243,00.

Custo operacional = 9,21 x UCO ( R$ 12,67) = 116,69

Valor da sessão de OHB = R$ 359,69

O valor gasto de oxigênio pode ser fator de negociação com a fonte pagadora, visto que é impossivel um nivelamento de consumo versus custus de oxigênio cabendo aos serviços formualarem planilhas de custos do oxigênio.
Não se inclui no honorário médico cobrança da consulta médica inicial para avaliação, assim como curativos realizados durante o tratamento.

Observação: A CBHPM é classificação bem elaborada por varias entidades com AMB, CFM, FIPE, permitindo uma laeabilidade na negociação dos serviços em relação aos custos operacionais. A cobrança de valores abaixo da banda mínima da CBHPM são consideradas preços vis, ferindo o código de ética médica.

-Incluir cobrança de avaliação medica inicial e de acompanhamento dos pacientes em tratamento hiperbárico (a cada 10 sessões) equivalente ao valor da consulta da CBHPM, nos pacientes internados - consulta hispitalar, nos outros consulta ambulatorial.

-Cobrar curativos realizados (material + medicamentos + procedimento).

2. Testes de pressão

O valor de 02 (duas) vezes o de uma sessão de OHB por trabalhador, com o mínimo de 03 (três) trabalhadores (no caso de um ou dois trabalhadores é cobrado o valor de três).

3. Tratamento de doença descompressiva e embolia traumática pelo ar

O valor de duas sessões de OHB por hora de sessão de recompressão.

4. Responsabilidade médica técnica para empresa de mergulho profissional

O valor de 09 (nove) sessões de OHB por mês.

5. Livro de mergulho e avaliação de mergulho

Uma sessão de OHB

6. Sobreaviso para empresas de ambientess hiperbáricos

Uma sessão por dia

1 comentários:

Magnus K-Toco at: 17 de fevereiro de 2014 12:09 disse...

Olá! Estou com osteomielite e tah difícil de curar. Esse tratamento ajudaria?? Obgd!